domingo, 28 de novembro de 2010

Modo de vista

Posso falar de todos os pontos de vistas possíveis, pois ate meus 9 anos sempre olhava pra cima pra falar com as pessoas, pois só engatinhava, não da pra ter uma conversa olho no olho, devido um sair com torcicolo (riso), mas era um único modo de me locomover e de comunicar, após os 9 nove anos com o uso de aparelho ortopédico  e auxilio de um andador pude falar olhando o horizonte, um novo modo de ver. Mas mesmo assim continuei a engatinhar. Pode se achar esquisito uma pessoa com 10 pra mais anos engatinhar, mas a liberdade que tinha era enorme, não tendo um aparelho te limitando é inexplicável!

Com o passar dos tempos, médicos que me acompanhavam disseram que eu tava fazendo muito esforço para o corpo com o aparelho ortopédico e a opção era uma cadeira de rodas. Mas não aceitei, pois estaria perdendo a visão do horizonte que conquistei com o aparelho e que estava adaptado. Uma cadeira seria o retrocesso de uma evolução magnífica que tive. Poxa pensava que depois daquele aparelho poderia vim um mais simples pra me locomover e não uma cadeira. E por essa barreira que fiz com a cadeira não teve jeito e os médicos me apoiaram e disseram se eu mudasse de idéia e eu iria mudar eles estavam prontos pra atender ao pedido.

Achava que nunca iria acostumar numa cadeira, ficar sentado o tempo todo tava fora dos meus planos e foi nesses 2 modos de andar e ver que fiquei até meus 17 anos quando concluir o Ensino Médio. Ai fiquei 6 meses me preparando pra tentar passar numa faculdade, passei numa faculdade de grande porte e o modo de me locomover percebi desde do dia do vestibular que não iria me servi ali pois não teria meus colegas que eram minhas pernas em lugares grandes.

Então comuniquei aos meus pais a necessidade da cadeira que foi aceita e logo providenciada. A chegada foi bem perto da ida a faculdade coisa de semana. A necessidade fez com que me adaptasse fácil. Agora tinha 3 modos de vistas possíveis engatinhar, andar e numa cadeira. O modo de ver da cadeira não é ruim. Tem seus limites, da parte arquitetônica da cidade ou lugares. Mas do modo de ver dali te dar uma visão legal e fora a liberdade mais fácil dos membros superiores, ou seja, dos braços, pois não preciso me equilibrar primeiro pra depois pegar algo com um braço só como era no andador.  

Hoje posso decidir como vejo o mundo, seja ele qual for tenho que me sentir bem e não pensar os que outros estão pensando ou vendo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O aprendizado

Aos 5 anos de idade meu pai voltou ao emprego, um alivio ao momento. Nessa mesma época os médicos daqui orientaram meus pais a me matricularem num colégio, para o contato com outras crianças. Entrei como 'ouvinte' por ser muito novo, mas com os passar dos meses como ouvinte, tive um desempenho maior que grande maioria da turma, a professor tentava convencer meus pais para colocar num colégio melhor onde eu poderia reder mais ainda, mas como a situação financeira não era lá estas coisas, a única saída era eu ser matriculado ali mesmo para iniciar os anos escolar.

Naquele colégio publico, passei 4 anos sem nenhum problema, a não ser ter que ficar mais dentro de sala de aula, pois só sabia engatinhar. A ida a escola era feia a pé pela minha mãe, ou seja acho q 1km pelo menos, depois ônibus escolar, carona de um primo de moto por um tempo e depois com minha tia. No inicio da 3ª serie do ensino fundamental meu pai decidiu comprar um carro pra ajudar na locomoção ate a escola. Neste 2 anos foi minha tia que dirigia, enquanto minha mãe ia tirar carteira.

Este colégio ia só até a 4 serie, então na 5 serie deveria ir pro ginásio, mas ia como? Um colégio enorme sem ninguém conhecido como ia ser? Tentei bolsa em colégio de vitoria que se tivesse passado iria percorrer de ônibus 1 hora em media, ufa não passei!

Bem só restava o ginásio, ou um colégio particular que surgiu na sede do meu município, uns 4Km lá de casa nele, fui pra lá ainda receoso, apenas conhecendo uma prima e 2 ou 3 que era do meu antigo colégio Bem pensei vai ser a mesma coisa, assisto a aula e fico dentro da sala, lendo engano, na hora do intervalo os professores me colocavam na arquibancada ou outro lugar, comigo entrou um garoto novo 1 ou 2 anos a mais da minha idade que era 9 anos. No inicio ele estava com os braços engessados,(a historia dele comigo precisa de 1 postagem exclusiva). Fiz amizade com ele pois ele também ficava mas em sala, após a tirada dos gesos ele fez o que os professores faziam me tirar da sala no colo e com essa ação dele, o resto da turma começou a me carregar.

Como o mundo da volta, o meu ortopedista insistiu pra eu voltar ao Sarah, nossa ir até Brasília! Não, surgiu um em Belo Horizonte, 8 horas de ônibus, fui pra lá em julho de 1999, fiz teste, exames e a equipe medica optou ele vai andar com aparelhos ortopédicos. Com menos de 5 meses estava eu de pé num aparelho dos pés a cintura e andador, tive um avanço muito rápido, andava pulando pois não tinha como caminhar normalmente. Poxa andar na escola foi maravilhoso. Mas sabia que longa distância seria preciso ajudar dos meus amigos então um me carregava e outro o meu andador. E assim foi até minha 8ª serie entrava mas colegas e eles por abito dos outros também me carregavam.